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Glossário do Rock

 

Voltamos a reafirmar que rock é uma unidade, mas essa sessão tenta explicar de onde surgiram algumas vertentes e como surgiram algumas expressões como Mainstream, Tribal Rock, Skiffle, New Wave, Rock, Folk Rock, e outras formas de música que deram origem ao rock´n roll... adições e correções são bem vindas.

 

ARENA ROCK - Um encontro que ninguém poderia prever, o progressivo e o heavy metal, filhotes dos últimos anos 60, foram cruzar-se nos últimos anos 70 para formar um formato grandioso e asséptico de rock que só funciona em grandes espaços triturantes como ginásios e arenas. Características básicas são um variedade interminável de clichês, baixos fortes, potentes solos de guitarra, sintetizadores de fundo e um quase perfeito anonimato dos seus executantes. Bandas militantes: Styx, Journey, Foreigner, REO Speedwagon, Ted Nugent, Queen, AC/DC e Van Halen, em Portugal tivemos os Roxigénio entre outros.

ART ROCK - Quase que progressivo, podendo ser até confundido com o mesmo, porém com a diferença é que essas bandas preiteavam o posto de arte, mostravam ambiciosas músicas ricas em elementos diversos e letras elaboradíssimas. Bandas militantes: King Crimson (expoente máximo), Gentle Giant, Yes (fase "Topografic Oceans") Emerson Lake & Palmer (fase "Pictures At An Exhibition").

BITTERSWEET - O nome foi inventado pelo Time, para uma alternativa "civilizada" de rock, pois os compositores/cantores, desde o início dos anos 60, tinham-se libertado das amarras do folk e passado a falar mais de amor, das cidades e do dia-a-dia. Em 1974, James Taylor foi capa do Time que declarou aberta a temporada do doce-amargo - que existia desde Bob Dylan e Simon & Garfunkel. Outros menestréis do género: Jackson Browne, Carole King, Carly Carly Simon, Joni Mitchell, Tim Buckley, Jim Croci, Gram Parsoms, Warren Zevon, entre outros...

BLITZ KIDS - Também chamados "new romantics" ou culto sem nome(os 3 termos inventados pela mídia que as bandas recusavam de todo jeito), foi um fenômeno do rock inglês, não adaptados ao horripilante punk, um bando de britanicos das classes baixas redescobriram a soul music, o funk e a discoteca e declararam que o negócio tinha de ser bonito (antônimo do punk), ridiculamente chique e dançar até não poder mais. Alguns expoentes: Spandau Ballet, Classix Noveaux, Depeche Mode, Duran Duran e Visage.

BLUEGRASS - Qualquer tipo de manifestação cultural "branca" norte-americana, mais precisamente, música caipira.

BLUES - A grande origem e maior influência do rock´n roll, a grande genialidade dos escravos negros norte-americanos proporcionaram-nos o grandioso e eterno Blues, que ao adaptarem hinos religiosos protestantes ao seu sentimento de tristeza e transcendência.

CALIFÓRNIA - Estado norte-americano onde, dizem, é sempre verão, ninguém tem pressa, o dinheiro é farto e o tédio é uma forma de elegância. Desde os "beatnicks" a sacramentaram, a Califórnia tem abrigado "freaks", hippies e figuras diversas. Musicalmente, o termo passou a designar a geração (ou máfia, como eram chamados) que, nos anos 70, ditava as regras do jogo fonográfico nos EUA, como músicos de estúdio e artistas solo. Características: extremo polimento sonoro, limpeza impecável de produção, um certo gosto por ritmos latinos e country. Em suma, todos os discos de todas as bandas eram perfeitamente iguais e vendiam milhões de cópias, o inicio do domínio da indústria fonográfica sobre a autonomia das bandas. Exemplos: Fleetwood Mac, Eagles, Steve Miller Band, etc... Excessões geniais: o Little Feat, Zappa passado a limpo.

COOL - Grandes nomes: Miles Davis, Ornett Coleman, Chet Baker, Charlie Parker, Thelonius Monk, Mondern Jazz Quartet. No Brasil, João Gilberto e Tom Jobim em alguns momentos foram extremamente cool, principalmente pelo facto da bossa nova ter fortes influências do jazz (e influenciar actualmente o jazz), essa fase "cool" foi quase inevitável para os grandes nomes da bossa nova.

COUNTRY ROCK - Música country tocada com mais eletricidade e com batida mais "feroz". Primeiras Fusões: Bob Dylan (inicio da carreira), The Byrds e The Band. Nos anos 60, o country rock era politicamente de esquerda, pois era contra a Guerra do Vietname e colado aos movimentos estudantis: Buffalo Springfield Crosby, Stills, Nash&Young, Poco. Nos anos 70, caiu pra direita e passou a ter saudades da "América".

COUNTRY & WESTERN - Foi a Billboard. a revista da industria fonográfica, que inventou o termo, nos anos 30, para enfatizar a música rural branca, que já na época estava ligada à industria fonográfica e começavam a profissionalizar-se. Música sertaneja norte-americana.Para o mesmo espectro equivalente negro criaram a expressão Rhythm´n´blues. Expoente supremo: Woody Guhtrie

DISCO (Discotheque, Discoteca) - Por volta de 1965, já eram esses clubinhos onde se tocada música de fita , bem alto do tipo pop ou soul para se dançar. Haviam gaiolas com dançarinas chacoalhando a go-go. Na década seguinte os clubinhos multiplicaram-se, agora são equipadas com efeitos luminosos estonteantes, som muito alto mesmo (e às vezes ruim) de musicas com batida de dois tempos (tu-ti-tu-ti-tu-ti) - Rock e funk reduzidos à expressão mais simples, coberta por vozes e sintetizadores. Da discoteca surgiu o Minimalismo, Tecnopop e até algumas coisas genuinamente interessantes.

DUB - Filhote do reggae, espécie de trilha sonora para as conversas e sermões dos toasters (disc-jockeys de reggae), o dub é, basicamente, um longo riff de baixo com efeitos de percurssão e vocais com poucas ou nenhuma palavra com ecos e reverbações. Exemplos: Aswad, grupo negro inglês, e quase todo o último lado de Sandinista! do Clash.

ECMJAZZ - ECM é a Editora independente do alemão Manfred Eischer. O seu gosto pessoal acabou por dar forma e nome a uma vertente atual de música que parte do jazz, no sentido de apego à forma livre e ao improviso, mas assimila fartamente elementos clássicos e populares de diversos lugares. O que Egberto Gismonti, por exemplo. Ou Keith Jarret, Steve Reich, Charlie Haden e Jan Garbarek. Todos os contratados da ECM, são claros.

FOLK ROCK - Por volta de 1962, folk rockers eram os trovadores urbanos do Village de Nova Iorque que usavam as formas originais de bluegrass para fazer protesto. Sinónimo: protest singers. Expoentes: Joan Baez, Peter Paul & Mary, Pete Seeger. Entre 1968 e 1976, folk rockers eram ingleses e europeus que descobriram possibilidades de fusão entre seu folclore celta, bretão, normando, holandês, flamengo ou o que fosse e a eletricidade do rock. Por Exemplo: Jethro Tull, Focus, Fairport Convention, Lindsfarne, Incredible String Band, Steeleye Span, Curved Air.

FUNK - Era xingamento: "cheiro de preto", "cheiro de bagulho"; Mas virou sinónimo de música moderna negra americana, pós-soul, pós-Hendrix, de maior voltagem eléctrica, muitos metais, sintetizadores e um balanço selvagem. Steve Wonder, Earth Wind & Fire, Coomodores, Defunkt e Lynx. Tocou muito nos anos 80 nas rádios FM brasileiras e Portuguesas. Em Portugal tiemos vários grupos com influências notórias desta boa música "Funk".

FUSION - Ou jazz/rock. A via aberta por Miles, ainda nos anos 60, depois do estilhaçamento completo do free, uma boa alternativa era o rigor pop do rock. Quem pegou o mote: Chick Corea, Jonh McLaughlin, Weather Report, Al di Meola, Stanley Clark. Do outro lado do rock: Jeff Beck, Santana. Depois, a partir de 75/76, cada um foi chagando para novos lados, retornando ao jazz acústico, free ou não, caindo de boca no rock ou interessando-se por funk e reggae. Inesperadamente, em 81, a fusion deu um filhote descabelado:o minimalismo tribal pós-punk de gente como o guitarrista James Blood Ulmer e o grupo inglês Rip, Rig and Panic, que colam ritmos básicos e eletricidade à mais sincera improvisação do jazz. Ainda: Wayne Shorter e Larry Corryel.

GLITTER - Mas que música, um estado de espírito - ou de roupa. Nos primeiros anos 70, o rock vendia como nunca, perdia a fama de maldito e começava a pavonear-se. Jeans, camisas e blusões de couro eram coisas de marginais de rua - a nova afluência rock´n roll pedia o luxo sem gosto e glorioso de uma escola de samba, paetês, cetins, sapatos de salto e plataforma. Fantasia a toda solta. Como Bowie na fase Ziggy Stardust. Como o Roxy Music. Como Alice Cooper, T.Rex & Marc Bolan e o KISS. Dez anos depois, os blitz kids recuperariam essa vaidade exarcebada e a levariam às últimas consequências.

HEAVY METAL - O termo é do escritor William Burroughs em seu livro "The Nova Express". Começou a aparecer fora do contexto de ficção científica em torno de 69/70, para definir a sonoridade metálica e pesada de uma nova geração de bandas, libertas e inspiradas pela ferocidade eléctrica de Hendrix e os longos solos de Cream: Led Zeppelin, Humble Pie, Deep Purple, Black Sabbath, Uriah Heep. Contrariando todas as expectativas, o heavy metal sobreviveu a todas as formas subsequentes de rock dos mutantes anos 70, formou uma platéia cativa e fechada - meninos entre 13 e 18 anos, cabeludos e pálidos - e acabou fornecendo uma terceira geração de bandas, já em fins dos anos 70: AC/DC, Iron Maiden, Motorhead, Saxxon, Judas Priest, Girlshool, Krokus e Def Leppard. Eram os "new heavies" que hoje se tornaram clássicos. Há uma quarta geração surgindo mas já com influencias clássicas mais marcantes que alguns chamam de Metal Melódico, mas que não deixa de ser heavy metal.

MAINSTREAM - Tradução literal - veio, corrente principal. Quem suava a palavra eram os críticos de jazz, os primeiros a aparecer depois dos de música clássica - já que o jazz foi o primeiro género a ser tido como "sério", portanto, digno de crítica, fora da "grande música". Mas, quando o rock mereceu conhecedores também, nos anos 60, a palavra passou a aplicar-se a ele. Quer dizer tudo que é dificil de classificar por ser a soma de muita coisa sem um contorno definido, ou melhor, tão misturado que acaba sinónimo da coisa toda em si. Confuso? Por exemplo: Bruce Springsteen. O que ele faz? Que estilos ele representa? Há tanta coisa triturada na sua música que ele é uma espécie de resumo do rock em ação. Fundamentalista: não vai por atalhos, detalhes e influências exógenas . É o veio principal - mainstream.

METAL MELÓDICO - Segmento do heavy metal, porém, com um preciosismo e rigor técnico maior, o virtuosismo dos músicos que aderem ao estilo é notável, um dos seus fundadores e talvez a maior referência seja o guitarrista Yngwie Malmsteen, completamente autodidata musicalmente, dono de uma velocidade jamais vista e que poucos conseguem igualar, tornou-se uma das referências do instrumento e já foi apontado por alguns como o melhor guitarrista em actividade no mundo. O estilo ganhou força nos anos 90 e as bandas que se intitulam como seguidoras do estilo têm-se multiplicado. Algumas bandas como o Rhapysody gravam músicas com tantos recursos,efeitos e com tanto preciosismo que não é possível de serem executadas ao vivo. De certa forma tenta aproximar-se da arte. Alguns Exemplos de praxe, fora os já mencionados: Stratovarius, Hammerfall, uma parte da carreira do Angra pode ser considerada como tal.

MODS - Coisas de ingleses, que adoram turmas, sinais fechados, senhas e modismos. Entre 60 e 65, eram mods todos os rapazes e raparigas que andassem chiques e sóbrios, gostassem de cabelo curto, lambreta e música negra americana. Turma fechada, com gíria própria e ídolos particulares - o The Who começou como uma banda mod. Dez anos depois, o Jam reencarnaria o espírito mod - exatidão, apego à Inglaterra e, contraditoriamente, à música negra americana - dentro do descabelado punk.

MINIMALISMO - Uma idéia das artes plásticas, tomada de empréstimo por Jonh Rockwell, crítico de rock do New York Times - o uso do mínimo recursos possíveis para realizar uma obra. Muita gente dentro e em torno da ruptura punk pode ser chamada de minimalista: os Talking Heads, antes de virarem superbanda afro funky; o Public Image Limited de Johnny Lyndon; o Joy Division; a própria Gang of Four - um baião, uma voz descarnada e uma guitarra psicótica já faziam a festa de grupos como esses.

NEW WAVE - Ó quantas ignomínias se cometem em teu nome! A começar pelo próprio nome - é, claramente, uma invenção da industria fonográfica americana para designar e explicar o rock mais enxuto, fundamentalista e revisado pós-76. Críticos americanos gostam de chamar de new wave tudo o que não é arena rock ou bittersweet, o que já é ser genérico demais. Críticos ingleses fazem de conta que nunca ouviram o termo, mas já chamaram de new wave roqueirinhos que tocava em pub entre 74 e 77 e que, por necessidade e pobreza, só usavam guitarra, baixo e bateria para fazer rocks bons de ouvir como os dos anos 50. Por exemplo: Elvis Costello, Nick Lowe, Graham Parker, Joe Jackson. Instrumento tipicamente new wave: o órgão Farfisa. nervoso e fanhoso. Atualmente: Blondie, B´52 e Rock Pile.

NWOBHM - Uma verdadeira geração de bandas de Heavy Metal surgiu a partir da NWOBHM, abreviação de "New Wave of British Heavy Metal", foi o movimento que começou por volta de 73 na Inglaterra, basicamente as bandas eram formadas por 2 guitarras, baixo, bateria e vocal. Aparentemente poderia ser uma banda de heavy metal normal, porém, as guitarras são fonte se solos dobrados, duetos e simultâneos mirabolantes, os dois guitarristas em alguns momentos solam juntos em velocidades incriveis como espelhos, é dada muita ênfase no contraponto bem marcado em algumas partes das músicas, a bateria possui uma pegada mais pesada e pouco mais rápida que o normal o vocal normalmente com vocalistas potentes e agudas, muitas vezes com vozes que chegam a ser tão agudas em alguns momentos que lembram sopranos ou raros contra-tenores. Seu propulsor foi o Judas Priest que surgiu em 73, mas o movimento foi segmentado mais claramente pelos fãs a partir da explosão do Iron Maiden que chegou a ser considerada a maior banda de heavy metal do mundo, as duas bandas foram responsáveis diretas pelo surgimento de quantidades enormes de bandas covers e pelo posterior surgimento do "Metal Melódico", sendo para este influência incontestável apesar de não enquadrarem-se ao novo estilo.

OI - Invenção semipatrocinada pelo jornal inglês Sounds para manter vivo o espírito punk dos primórdios, 76-77, em plenos anos 80. Muito simpático, mas com um problema - a maior parte da turma que aderiu ao Oi já se tinha esquecido do que tinha levado os punks a existir, e eram apenas um bando de adolescentes de cabelo rapado com raiva dos imigrantes negros e indianos. Daí a serem cooptados pela direita fascista e racista do "National Front" foi um (mal) passo. Alguns expoente: Cocknew, Rejects, 4 Skins e UK Subs, Exploited.

POWER POP - Coisinha de americano para definir o "rockinho" eficiente da turma de Costello, Lowe, Deve Edmunds e companhia.

POWER TRIO- Consta que o primeiro foi o Cream. O nome já diz tudo - com baixo, guitarra e bateria, apenas com os três fazer o som mais pesado possivel, o mais puro heavy metal. Patrono supremo, além do Cream, o Experience do Jimi Hendrix.

PUNK - Ora direis, punk. Rapidinho - anos 60, era xingamento para definir a alegre incompetência de bandas como os Eletric Prunes e os Troggs para fazer o pop ou o rock "mais elaborado" da época. Em 76, era o orgulho de quem mandava o "establishment rock" à fava e dizia que qualquer um podia tocar com a (in)competência que bem quisesse. Depois virou nome de corte de cabelo, camiseta, calça, etc. Como de costume. Alguns exemplos: Sex Pistols, The Clash, Dammed, Siouxie and the Banshess, e é claro que não podíamos esquecer do universal RAMONES.

PUB ROCK - Nos primeiros anos 70, ninguém dava bola, mas o embrião da viragem estava lá, nos pubs ingleses, onde grupos como o Ducks De Luxe, o Brinsley Schwarz e o Bebop. De Luxe propunham um rock mais simples e mais vital. Depois, foi o que se soube.

PROGRESSIVO - A idéia de que o rock podia ser uma forma de arte é do final dos anos 60. É quando começa a tocar a segunda geração culta de roqueiros, formados em escolas de arte e conservatórios, impulsionados pela idéia de fusão com clássicos, jazz e outras formas mais elaboradas de música. O rock progressivo é caracterizado pela presença de sintetizadores em larga escala e longos solos, equivalente às longas improvisações de jazz, o progressivo teve como berço a Europa. Os grandes nomes: Pink Floyd, Yes, Rush, Emerson, Lake & Palmer, Moody Blues, King Crimson e Tangerine Dream.

PSICODELISMO - Literalmente, o despertar da alma. Musicalmente, a trilha sonora das viagens de ácido, para músicos e platéia. Como a droga, cria dos anos 60: Doors, Grateful Dead, Jefferson Starship, Pink Floyd. Caracteristicas: qualquer coisa muito longa, muito vaga e muito sugestiva. As portas da percepção. Nos anos 80, os inglesinhos do Echo & The Bunnymen, e dos Psychodelic Furs fizeral uma revisita ao psicodelismo musical, sem ácido e mais crítico.

POP - O mundo pensa saber o que é, mas poucos tem consciência do que realmente vem a ser. Não é nem de perto parecido ou, pior ainda, sinónimo de qualquer tipo de rock. Julio Iglesias, por exemplo, é intensamente pop, mas Elton John também, assim como o "funk de carioca" (que não tem nada de funk, é "beat bass") está em evidência no Brasil ou mesmo os Titãs, um dos expoentes do rock brasileiro, veio a tornar-se demasiadamente pop desde o lançamento de seu primeiro álbum acústico. Pop é simplesmente sinónimo de música de mercado, música industrial, para vender numa faixa de consumo o máximo possível. É mais uma técnica - atender ao tipo de sonoridade e de necessidade de tamanho do rádio (3 minutos de música, no máximo), para frasear os gostos dominantes do público - que um estilo. Pode ser genial, pelo controle do estúdio, do acabamento, pela transcendência a estes elementos/limitações; ou um saco, o que, infelizmente, costuma ser.

AP - Literalmente, contar vantagem, gabola, abobrinhas. Que é um pouco do que fazem os rappers: sobre uma base musical - em geral, funky ou reggae - já gravada, eles falam, dentro do ritmo, de tudo, de todos e, sobretudo, de si mesmos. É um filhote tardio, entre os anos 70 e 80, do talking blues primitivo dos anos 20, com o espírito incendiário do reggae, onde os toasters (djs) exprimem o seu vocabulário.

REGGAE - Genial cocção, sob o sol da Jamaica, do ritmo nativo lento, primo do calipso, com o soul music e o rhythm n blues americanos emigrados pelas ondas do rádio. Primeira encarnação: o ska, mais rápido e próximo ao calipso. Segunda encarnação: o reggae propriamente dito, lento, ondulante e hipnótico, nos anos 60. Icone: Bob Marley. é óbvio.

RIFF - Uma idéia tomada emprestada do jazz - frase melódica bem curta e forte, executada pelo grupo ou parte dele enquanto o solista executa seus improvisos. No rock, o riff acumula ainda outra função: mesmo quando não há solo, ele é a assinatura da música, seu gancho, seu modo de levantar a platéia (ou o ouvinte). Algumas músicas de riffs clássicos: Smoke in the Water (Deep Puple), Iron Man (Black Sabbath), The Tropper (Iron Maiden), praticamente todas (se não todas) as músicas do AC/DC.

ROCK - A primeira aparição da palavra deu-se lá pelos anos 30 e 40, como um jargão comum nas letras de blues. Queria dizer trepada e dança, ao mesmo tempo - cada um entendesse como quisesse. Nos anos 50, o disk jockei Alan Freed lançou a ideia: aquela misturada de músicas fora da "norma", brancas e negras, que mexiam com os quadris, era o surgimento do ROCK´N ROLL. Com o tempo, o termo foi sendo abreviado: simplesmente "ROCK". que hoje quer dizer tantas coisas ao mesmo tempo que fica impossível de explicar.

ROCKABILLY - O rock n roll, mais puxado para o lado caipira, country, que nos anos 50, faziam Jerry Lee Lewis, Roy Orbison, o próprio Elvis Presley com Scotty Moore na guitarra, Gene Vicent e outros. Bateria bem seca, só de caixa e prato, piano, guitarras soluçantes e topetes - exatamente como, quase 30 anos depois, fizeram grupos como Stray Cats e os Shakin n Pyramids.

SKIFFLE - Rock´n Roll primitivo, puxado para o rockabilly que os ingleses adoravam no final dos anos 50. O charme era tocar em instrumentos bem toscos, como tábuas de lavar roupa, panelas e guitarras de pau. O herói skiffle supremo era Lonnie Donnegan, mas um grupinho local de Liverpool também se deram bem: uns tais Quarrymen, às vezes chamados de Johnny & the Moondogs, ou The Silver Beatles.

SOUL - Um termo genérico, na verdade muito difícil de ser aplicado a um estilo musical preciso. É, antes de tudo, uma atidude: nos anos 60, junto com a luta pelos direitos civis, a música negra americana - uma infinidade de estilos, origens, diferenças - busca uma fusão de suas muitas linhagens, um produto sonoro mais facilmente identificável, com um pouco de rhythm n blues, de gospel, de blues. É mais fácil de entender ouvindo Ray Charles, Aretha Franklin, Marvin Gaye, Otis Redding, Sam Cooke. Por aqui, suas marcas ficaram em trabalhos de Tim Maia e de Ivan Lins.

SURF MUSIC - Subgênero da Califórnia. Muitas guitarras, vocais complicados e letras que falam em sol, mar, céu, garotas, mar, sol, pranchas, mar, sol, verão, mar, sol, surfar, mar, sol, ondas, etc. Época do auge: 62/65; Imbatíveis: os Beach Boys (o nome já diz tudo). E também: Trashmen, Surfaris.

TECNOPOP - Um passo além dos Blitz Kids de 80/81, novos grupos ingleses continuam a flertar com sintetizadores e com ritmo obsessivo da discoteca enquanto consideravam outros elementos de interesse: o rock, é claro, com suas guitarras incendiárias, os ritmos latinos (brasileiros, até!) e africanos, e até o free jazz de Parker, Coltrane e companhia. À falta de nome melhor, chamaram estas fusões de tecnopop - Altered Images, Rip Rig and Panic, Haircut OneHundred, ABC, Thompson Twins, Soft Cell, Human Leag, Blue a la Turk, Duran Duran e Bill Nelson.

TRIBAL ROCK - Um sub-estilo do tecnopop, mais puxado pelos ritmos africanos e por reggae bem pesado. Muitos tambores de todas as nacionalidades, poucas guitarras: Bow Wow Wow, Adam and the Ants, Thompson Twins de Novo, Fun Boy Three, Bananarama.

Glossário Rock

  • Aqui poderá encontrar as definições para os mais variados estilos musicais.

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